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Por que os Jogos de Azar Foram Proibidos no Brasil?

Publicado em:
04/09/2024
Atualizado em:
06/06/2025

Você já se perguntou por que não existem cassinos legais no Brasil? Ou por que os jogos de azar são proibidos no país? A resposta envolve um emaranhado de fatores históricos, sociais e políticos.

A proibição dos cassinos no Brasil, instituída pelo Decreto-Lei 9.215/1946, moldou significativamente a cultura do jogo no país. Enquanto muitos outros países legalizaram e regulamentaram os jogos de azar, gerando receitas consideráveis e impulsionando o turismo, o Brasil mantém uma postura mais restritiva diante o assunto.

Uma combinação de fatores, incluindo influências religiosas, preocupações morais e interesses políticos, fazem parte da lista que levou a esta decisão, quase 80 anos atrás.


A História dos Jogos de Azar no Brasil

Linha do Tempo Cassino no Brasil - jogos de azar proibidos no Brasil

A história dos cassinos no Brasil além do tempo.


Período Colonial


Os jogos de azar estiveram presentes na vida cotidiana da colônia brasileira desde os primórdios do Período Colonial (1500-1822). A colonização portuguesa, marcada por uma forte influência da cultura europeia, trouxe consigo diversas
práticas lúdicas, incluindo os jogos de azar, sendo esta mais uma herança lusitana para o nosso país.

E como eram os jogos naquele tempo? Uma forma paralela de ganhar dinheiro, além de ser uma prática de lazer e expressão cultural. 

Jogos como válvula de escape: Em um ambiente muitas vezes hostil e marcado pelo trabalho árduo, os jogos de azar serviam como uma forma de escape e entretenimento para colonos e escravizados.

Relação com a cultura: Os jogos eram parte integrante da cultura popular, sendo praticados em diversas ocasiões, como festas religiosas e eventos sociais, como ainda acontece nos dias de hoje.

Economia informal: Os jogos de azar também desempenhavam um papel na economia informal da colônia, sendo uma forma de troca e circulação de bens.

Proibição e tolerância: Embora houvesse uma certa tolerância em relação aos jogos de azar, a Igreja Católica, com seu poder moral e político, frequentemente os condenava como práticas pecaminosas.

Segundo historiadores, no século XVI foram introduzidos os jogos de cartas e dados, entre outros tipos de passatempo. Somente no século XVIII surgiram as primeiras casas de apostas, junto às corridas de cavalo, tornando-se um método de diversão bastante apreciado entre as classes sociais mais altas.


Período Imperial

Durante o Império (1822-1889), os jogos de azar continuaram a fazer parte da vida brasileira, mas com uma regulamentação mais rigorosa.

Lei de Contravenções Penais: A primeira tentativa de regular os jogos de azar ocorreu com a Lei de Contravenções Penais de 1830, que estabeleceu algumas restrições à prática.

Influência da Igreja: A Igreja Católica continuou a exercer forte influência sobre a legislação, buscando limitar a prática dos jogos de azar.

Cassinos e casas de jogo: Apesar das restrições, cassinos e casas de jogo proliferaram em algumas cidades, especialmente nos centros urbanos.

Podem ser diversos os sintomas para estes tipos de distúrbio, é importante ressaltar que qualquer que seja ele, deve ser diagnosticado por um médico de sua confiança.

Contudo, alguns dos sintomas mais comuns incluem a dificuldade em lembrar de informações, sejam elas recentes ou antigas; problemas na linguagem, como encontrar as palavras certas ou entender o que os outros dizem; e a desorientação no tempo e no espaço.


Primeira República

A Primeira República (1889-1930) foi marcada por uma grande proliferação dos cassinos e casas de jogo no Brasil. Foi no ano de 1892 que o famoso “Jogo do Bicho ” nasceu, no Rio de Janeiro, criado pelo Barão João Batista Viana Drummond, que enfrentava dificuldades financeiras após perder o subsídio imperial. A princípio, o Jogo do Bicho era lícito sob a fiscalização da polícia, o que não durou muitos anos, já que em 1895 a prática foi proibida.

Alguns anos depois, em 1920, o Presidente Epitácio Pessoa liberou oficialmente os cassinos no país, contudo, os estabelecimentos só eram permitidos em estâncias balneárias, climáticas e de águas, ou seja, cidades turísticas e litorâneas, com atrativos naturais. O imposto arrecadado com os jogos seria destinado para o saneamento básico no interior. Entretanto, nem tudo era um mar de rosas, já que o início dos jogos legalizados no Brasil era instável, sendo o número de fechamentos tão frequentes quanto os de inaugurações.

Após uma década, quando Getúlio Vargas assumiu a presidência em 1930, o jogo virou e a sorte ficou a favor dos cassinos e jogos de azar pela primeira vez na história. O período foi marcado por grandes Cassinos, como:


● O Cassino Copacabana, situado no luxuoso hotel Copacabana Palace desde sua abertura, em 1920. Foi obrigado a fechar as portas e teve sua reabertura em 1932;

Cassino Copa Cabana

Vista aérea de Copacabana Palace em 1926 — Foto: The Aircraft Operating Co. Ltd. / Acervo Instituto Moreira Salles.

● O Cassino da Urca, que foi palco de grandes apostas e de estrelas como Carmem Miranda, foi inaugurado em 1933;

Cassino da Urca

Cassino da Urca. Foto: Reprodução.

● O Cassino Paulista ficava na Ladeira de São João, atual Avenida São João, em São Paulo, e era um ponto de encontro da boemia paulistana.

Cassino Paulista

Fachada do Cassino Paulista. Foto: Reprodução
● O Cassino Monte Serrat era o mais importante fora da capital paulista, localizado em Santos.

Cassino Paulista

Salão do Monte Serrat vazio durante o dia. Foto: Reprodução.

Na época, as modalidades permitidas eram limitadas, entre elas roleta, campista, bacará, écarté, entre outros.
E os locais não se resumiam às apostas e jogos, tendo como atrativos restaurantes, piano-bar, bailes, concertos de  orquestras e outros shows de artistas mais renomados do mundo na época. 

Tudo isso só possível nos anos 30 graças a uma série de fatores:

●Urbanização e industrialização: O processo de urbanização e industrialização contribuiu para o crescimento das cidades e para o surgimento de novos espaços de lazer, como os cassinos.


● Motivação: Relação com a política: Os cassinos se tornaram locais de encontro para políticos, empresários e membros da elite, influenciando as decisões políticas.

●Fonte de renda: Os cassinos geravam grandes somas de dinheiro, atraindo investimentos e contribuindo para a economia de algumas regiões.

●Corrupção: A relação entre os cassinos e a política muitas vezes era marcada pela corrupção, com políticos se beneficiando financeiramente dos jogos de azar.

Porém, assim como todo Carnaval tem seu fim, a festa dos cassinos acabou em 1945. Após vencer as eleições com o apoio dos donos de cassinos, o Presidente Eurico Gaspar Dutra tomou posse em 31 de janeiro e, no dia 30 de abril, decretou a lei que tornava os jogos de azar em crime.


Os Motivos para a Proibição


A proibição dos cassinos no Brasil foi resultado de um conjunto de fatores complexos que envolviam aspectos religiosos, morais, políticos e econômicos. Entenda cada um desses motivos em detalhes:


Influências Religiosas


●A Igreja Católica como força moral: A Igreja Católica, com seu grande poder de influência na sociedade brasileira, sempre considerou os jogos de azar como um pecado, associando-os à avareza, à imoralidade e à perda da fé.

●Pressão para a legislação: A Igreja exerceu forte pressão sobre os legisladores para que os jogos de azar fossem proibidos, utilizando sua autoridade moral para justificar a necessidade de proteger a sociedade dos males do vício.
Preocupações Morais


Preocupações Morais


●Vícios e dependência: Os jogos de azar eram associados à dependência, à perda de controle e à ruína financeira, gerando preocupações com a saúde mental e social da população.

Desordem social: A proliferação dos cassinos era vista como uma ameaça à ordem social, associada ao crime, à prostituição e a outros problemas sociais.

● Perda de valores: Os jogos de azar eram considerados uma atividade ociosa e que levava à perda de valores como o trabalho, a família e a honestidade.


Interesses Políticos


● Ferramenta política: Os cassinos eram frequentemente utilizados por políticos como uma forma de angariar apoio e financiar campanhas eleitorais, criando uma rede de corrupção e favorecimento.

Controle social: A proibição dos jogos de azar era vista como uma forma de controlar a população e evitar a concentração de poder em grupos específicos.

● Ideologias conservadoras: As ideologias conservadoras, que predominavam na época, viam os jogos de azar como uma ameaça aos valores tradicionais e à família.


A Grande Depressão


● Crise econômica: A Grande Depressão, que atingiu o Brasil nos anos 1930, intensificou as críticas aos cassinos, que eram vistos como um símbolo de ostentação e desperdício em um momento de crise.

● Necessidade de medidas de contenção: A crise econômica gerou a necessidade de medidas para conter o consumo e evitar o desvio de recursos para atividades consideradas supérfluas.

● Fortalecimento do Estado: A crise também contribuiu para o fortalecimento do Estado, que passou a intervir mais na economia e na vida social, impondo restrições aos jogos de azar.


O Decreto-Lei 9.215/1946 e suas Consequências


O decreto-lei, em sua essência, buscava proteger a moralidade pública e os bons costumes, justificando a proibição dos jogos de azar como uma medida necessária para combater a ociosidade, a corrupção e a desordem social.

É importante destacar que o decreto-lei não apenas proibia os cassinos, mas também outras modalidades de jogo, como bingos e jogos de azar em geral. A intenção era clara: eliminar completamente a prática dos jogos de azar do território nacional.

Apesar de alcançarem este objetivo, a ação teve um impacto profundo e duradouro na sociedade brasileira, com consequências em diversas áreas, como na economia, com a perda de empregos resultante dos fechamentos dos cassinos, afetando principalmente o setor de serviços e turismo.

Falando em turismo, esta foi outra área que saiu em desvantagem, já que o Brasil deixou de ser atrativo para turistas que buscavam o turismo de jogos. A cultura também sofreu grandes perdas, com a mudança nos hábitos de lazer da população, que deixou de ter acesso a uma forma de entretenimento, não só a de jogos, mas principalmente os shows e espetáculos que atraiam grandes artistas para estes locais.

Por fim, junto com a morte dos cassinos, nasceu um mercado clandestino, com o jogo do bicho e a criminalidade ganhando destaque.


O Legado dos Cassinos


Mesmo com a proibição, os cassinos deixaram um legado importante na cultura brasileira. Eles influenciaram a arquitetura, a moda, a música e o cinema. Além disso, a nostalgia pela era dos cassinos permanece viva na memória de muitos brasileiros.

Atualmente, a legalização dos cassinos e bingos presenciais segue em votação no Congresso Nacional, plantando uma sementinha de esperança em quem gostaria de viver a era de ouro nos dias atuais. Por enquanto, é possível relembrar a história ou jogar online, nas modalidades virtuais dos jogos.  

Escrito por: Beatriz Bandiera

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