Publicado em:
24/09/2024
Atualizado em:
06/06/2025
Você já parou para pensar por que chamamos determinados jogos de "azar"? A origem desse termo é mais intrigante do que você imagina.
Ao longo dos séculos, esses jogos, que dependem principalmente da sorte, ganharam essa denominação que carrega um certo misticismo, mas também um sentido negativo.
Diretamente ligado a elementos históricos, culturais e linguísticos, o nome reflete o medo, a imprevisibilidade e a emoção que esses jogos sempre evocaram nas sociedades ao redor do mundo.
Descubra como e por que esse nome se consolidou ao longo do tempo.
Azar: Muito Além da Sorte ou do Infortúnio
Para começar, é importante explorar a origem da palavra azar, que tem uma história rica e multifacetada, com raízes em diferentes culturas e línguas.
O termo vem do árabe "al-zahr", que significa literalmente “os dados”. Nas práticas árabes antigas, os dados eram frequentemente usados em jogos e também em práticas de adivinhação.
Essa conexão entre o jogo e o conceito de sorte ou azar acabou se consolidando na cultura europeia durante a Idade Média, especialmente após a expansão do comércio e das conquistas árabes.
Ao longo dos séculos, o significado de “azar” evoluiu. Embora originalmente referisse aos dados em jogos, o termo passou a simbolizar qualquer evento imprevisível ou fora de controle humano, algo que dependia puramente da sorte.
Dessa forma, o conceito de “jogos de azar” surgiu como uma referência a jogos nos quais o resultado final dependia completamente de fatores aleatórios, sem nenhuma influência de habilidade ou estratégia do jogador.
Os Jogos de Azar na História
Os jogos de azar têm uma longa e fascinante história, sendo parte de muitas civilizações ao longo dos séculos. A sorte e o acaso sempre foram componentes centrais desses jogos, representando a tentativa humana de compreender e influenciar o destino. Abaixo, veja como os jogos de azar evoluíram desde as sociedades antigas até a era moderna.
Os Jogos na Antiguidade
Na Antiguidade, os jogos de azar já faziam parte da vida cotidiana de várias civilizações. Na civilização egípcia, por exemplo, os arqueólogos encontraram evidências de dados e jogos de tabuleiro que eram usados tanto para entretenimento quanto para práticas religiosas.
Um dos jogos mais famosos, o Senet, envolvia tanto a sorte quanto a estratégia, e acreditava-se que os deuses influenciavam os resultados.

Senet, o jogo de azar dos egípcios.
Na Grécia Antiga e em Roma, os jogos de azar eram amplamente praticados, e os dados ocupavam um papel central. Os gregos e romanos jogavam com dados de osso, pedra ou marfim, e a aleatoriedade do resultado era vista como uma intervenção divina.
Jogar os dados era frequentemente associado à tomada de decisões importantes e até à adivinhação. Os romanos, em particular, eram apaixonados por apostas e jogos, e até o imperador Nero era conhecido por gostar de jogos de azar.
Embora o jogo fosse popular, muitas vezes era regulamentado ou até proibido, especialmente em Roma, onde as apostas ilegais eram comuns.
Nessas sociedades antigas, a sorte e o acaso desempenhavam papéis centrais nos jogos. A sorte era muitas vezes vista como uma força controlada pelos deuses, e os jogadores buscavam agradar às divindades para melhorar suas chances de vitória.
Esses jogos refletem a relação ambígua entre o desejo humano de controle e a aceitação de que o destino, em última análise, está fora do alcance.a
A Idade Média e a Renascença
Durante a Idade Média, os jogos de azar continuaram a evoluir, mas passaram a ser influenciados por uma forte presença da religião e das crenças populares.
A Igreja Católica, que exercia grande poder sobre a Europa medieval, condenava os jogos de azar, vendo-os como atividades que levavam à ociosidade, pecado e perda de tempo.
No entanto, isso não impediu que as pessoas continuassem jogando, muitas vezes de forma clandestina.
Os jogos de azar dessa época, como as apostas em corridas de cavalos, cartas e dados, estavam frequentemente ligados a superstições. Muitos jogadores carregavam amuletos e seguiam rituais para tentar manipular a sorte a seu favor, acreditando que poderiam, de alguma forma, controlar o acaso.
Durante a Renascença, os jogos de azar começaram a ser vistos sob uma nova luz, com o renascimento do pensamento crítico e científico. No entanto, os jogos continuaram a ser populares entre as classes altas, e a aristocracia frequentemente organizava competições de jogos de azar em festas e eventos.
Foi também nesse período que as
primeiras versões do jogo de cartas começaram a se popularizar, evoluindo para o que hoje conhecemos como jogos de
poker e
blackjack.
A Era Moderna e a Popularização dos Cassinos
Com a chegada da Era Moderna, os jogos de azar se tornaram cada vez mais populares, especialmente após o surgimento dos cassinos. No século XVII, o primeiro cassino oficial, chamado Ridotto, foi aberto em Veneza.

Ridotto, o primeiro cassino do mundo.
Este estabelecimento marcou o início da formalização dos jogos de azar como uma indústria do entretenimento, onde as pessoas podiam jogar de maneira regulamentada e organizada.
Os cassinos desempenharam um papel crucial na consolidação do termo "jogos de azar". As casas de jogo passaram a oferecer uma variedade de jogos que dependiam puramente da sorte, como a roleta, o poker e as máquinas caça-níqueis.
A ideia de que o resultado dos jogos dependia inteiramente do acaso — ou seja, do “azar” — passou a ser uma característica central desses estabelecimentos. Com o tempo, os jogos de azar se tornaram acessíveis a todas as classes sociais, não apenas à elite.
O século XX viu uma explosão da popularidade dos cassinos, especialmente em locais como Las Vegas e Monte Carlo, que se tornaram símbolos globais dos jogos de azar. Ao mesmo tempo, a legalização dos cassinos em várias partes do mundo transformou a indústria dos jogos de azar em uma das mais lucrativas.
Os cassinos modernos são uma forma de entretenimento que combina luxo, emoção e risco. A influência dos cassinos na sociedade moderna é inegável, e eles desempenham um papel importante na economia global, gerando bilhões de dólares em receitas e empregos. A cultura dos cassinos ajudou a perpetuar o termo "jogos de azar", mantendo viva a conexão entre o jogo e a imprevisibilidade do destino.
O Significado Cultural do Azar nos Jogos
O termo “azar” carrega um profundo significado cultural nos jogos, simbolizando mais do que a simples aleatoriedade dos resultados. Ele representa a incerteza da vida, o acaso, e o eterno confronto entre o controle e a imprevisibilidade. O "azar" também simboliza a vulnerabilidade humana diante do desconhecido.
No jogo, o azar reflete a falta de controle sobre o resultado e a dependência de fatores aleatórios. Ele serve como um lembrete de que nem sempre podemos controlar as circunstâncias, independentemente do esforço, planejamento ou preparação.
O conceito de "jogar com o azar" nos ensina sobre a impermanência e a imprevisibilidade da vida, refletindo nosso desejo de desafiar o destino, mesmo sabendo que ele está fora de nossas mãos.
O Azar e a Emoção do Jogo
A ideia de azar é um dos principais motores que alimentam a emoção nos jogos. Parte da adrenalina e do apelo dos jogos de azar vem justamente da incerteza do resultado.
Quando o jogador se senta para jogar, seja em uma mesa de roleta, com cartas de poker ou numa rodada de bingo, ele está mergulhando em um mundo onde o próximo movimento é incerto, e o resultado pode ser uma grande vitória ou uma perda inesperada.
Esse risco iminente de perder ou ganhar cria uma intensa emoção, liberando adrenalina e mantendo os jogadores engajados. O sentimento de que "tudo pode acontecer" — que o próximo giro da roleta ou o próximo lançamento de dados pode trazer a vitória ou a derrota — é o que torna os jogos de azar tão emocionantes.
Aproveitando os Jogos de Azar
Compreender o conceito de azar é fundamental para a promoção de uma prática de jogo responsável. A essência do azar é a imprevisibilidade — algo que os jogadores precisam internalizar para não se deixarem levar por falsas expectativas de controle ou de vitória garantida.
Muitas vezes, os jogadores acreditam que suas escolhas podem influenciar o resultado de um jogo que é, na verdade, inteiramente aleatório. Essa falsa sensação de controle pode levar a comportamentos compulsivos e prejudiciais.
É vital que os jogadores entendam que o azar, como já diz o nome, desempenha um papel central nos jogos de azar e que, em última análise, eles estão apostando contra o acaso. Ao reconhecer que as probabilidades estão frequentemente a favor da casa (em cassinos) e que o sucesso não pode ser garantido, o jogador se protege de expectativas irreais.
Gostou de conhecer a história por trás do nome dos jogos de azar? Então
fique por dentro dos assuntos que permeiam o universo.
Escrito Por: Beatriz Bandiera
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