O bilhar e a sinuca sempre tiveram forte presença masculina, mas são inúmeras as mulheres que romperam barreiras, competindo com habilidade e conquistando títulos relevantes em todo o mundo.
As maiores jogadoras da história — com trajetórias incríveis na mesa — não apenas desafiaram estereótipos, como também contribuíram para o crescimento e reconhecimento do esporte feminino. Neste artigo, apresentamos as mais influentes: desde a dominadora Allison Fisher, às campeãs do snooker feminino, até as brasileiras que brilham em arenas locais.
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Allison Fisher, a maior jogadora de bilhar da história.
Considerada por muitos a melhor jogadora da história, Allison Fisher nasceu em 1968, em Cheshunt, Inglaterra. Iniciou sua carreira no snooker, acumulando 11 títulos mundiais entre 1985 e 1994. Em 1995, mudou-se para os EUA e passou a se dedicar ao pool — especialmente ao nine-ball. Sua transição foi excepcional: conquistou dezenas de torneios da WPBA, incluindo quatro campeonatos mundiais de nine-ball, entre inúmeras outras conquistas.
Fisher foi #1 do ranking WPBA entre 1996 e 2001 e novamente entre 2002 e 2007. Em 2009, foi considerada a maior renda em premiações na programação de bilhar, superando jogadores homens naquele ano.
Devido à sua relevância e suas contribuições no esporte, recebeu em 2022 a honraria MBE (Member of the Order of the British Empire), condecoração britânica concedida a pessoas que se destacam por serviços notáveis à comunidade.
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A campeã inglesa, Kelly Fisher
Outra britânica de destaque, Kelly Fisher foi rainha no snooker feminino entre 1998 e 2003, ganhando diversos títulos mundiais. Em 2005, ela migrou para os EUA, dedicando-se ao pool, onde se tornou campeã mundial de ten-ball (2011) e nine-ball (2012, 2019).
Além das conquistas, Fisher quebrou recordes: foi a primeira mulher a fazer “century break” em qualificatória para o mundial masculino de snooker. Seu legado soma 45 títulos no snooker e dezenas de conquistas em pool até hoje.
E apesar do mesmo sobrenome e do mesmo país de origem, Allison e Kelly Fisher não tem nenhum parentesco.
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Reanne Evans, 12 vezes campeã mundial de snooker.
No campo do snooker, a inglesa Reanne Evans é incontestável. Eleita campeã mundial no snooker feminino por 12 vezes, sendo 10 delas consecutivas (2005–2014), ela quebrou todos os recordes de constância e domínio na modalidade.
Evans é reconhecida por quebras espetaculares e liderança no ranking feminino, incluindo 90 vitórias seguidas no circuito (2008–2011) e uma “high break” de 140 pontos. Em 2020, conquistou o título de MBE por serviços ao snooker. Sua entrada nos torneios profissionais, incluindo o mundial masculino, foi um grande marco no cenário da sinuca.
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Karen Corr, 3X campeã mundial de snooker.
Nascida na Irlanda do Norte, Karen Corr iniciou-se no snooker aos 15 anos, conquistando três títulos mundiais (1990, 1995, 1997) e dois de bilhar inglês (1998, 1999). Como Fisher, mudou-se aos EUA em 1998 para disputar o circuito da WPBA.
Corr foi número 1 da WPBA, acumulando títulos importantes e estabelecendo-se no Hall da Fama da BCA em 2012. Sua transição sólida entre modalidades influenciou diversas gerações.
Antes delas, no século XX, outras mulheres fizeram história:
Essas pioneiras abriram portas num esporte dominado por homens, tornando-se referências para décadas futuras.
O Brasil também tem representantes de peso na sinuca, que já conquistaram reconhecimento nacional com títulos expressivos e atuação destacada em treinos, ensino e organização de eventos:
Carmelita Yumito (Tauá, CE) é uma das grandes pioneiras. Penta‑campeã brasileira (2001, 2004, 2009, 2010, 2012) e hexa‑campeã paulista feminina, ela também atua como instrutora, árbitra e diretora do Departamento Feminino da Federação Paulista de Sinuca e Bilhar.
Silvia Taioli merece menção especial: tetracampeã paulista, campeã brasileira e árbitra reconhecida, ela conduz um trabalho pedagógico com aulas e vídeos, difundindo o conhecimento da modalidade. Além disso, é instrutora ativa em workshops, possui canal no YouTube com mais de 14 mil inscritos e já participou como debatedora em programas de TV, ressaltando que a sinuca está deixando de ser “puro território masculino”.
Também se destacam figuras como Tati Mineirinha, Natacha e Nicolly, que vêm chamando atenção nas redes sociais com jogos de alto nível e repercussão em vídeos online, mostrando que a nova geração tem espaço e talento para manter o legado feminino no esporte.
Ao longo da história, as mulheres conquistaram um espaço cada vez mais sólido no mundo da sinuca e do bilhar, desafiando barreiras de gênero e se consolidando como referências técnicas e profissionais. Jogadoras como Allison Fisher, Kelly Fisher, Reanne Evans e Karen Corr não apenas brilharam nas mesas, mas também ajudaram a moldar o cenário internacional da modalidade, elevando o nível técnico e a visibilidade do esporte feminino.
No Brasil, nomes como Carmelita Yumito, Silvia Taioli e representantes da nova geração mostram que a sinuca feminina tem raízes fortes e um futuro promissor. A presença ativa dessas mulheres, seja competindo, ensinando ou promovendo o esporte, inspira outras jogadoras e fortalece uma comunidade cada vez mais diversa.
Mais do que títulos ou recordes, essas trajetórias representam persistência, paixão e talento. O bilhar e a sinuca são, hoje, territórios mais abertos e inclusivos graças ao esforço dessas mulheres que transformaram o jogo e, com ele, o olhar do público.
A mesa está posta. E as mulheres seguem jogando com maestria.