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Cribbage: conheça o jogo de cartas com tabuleiro popular nos EUA e Reino Unido

Publicado em:
23/09/2026
Atualizado em:
23/09/2026

Se você olhar uma partida de Cribbage pela primeira vez, talvez demore alguns segundos para entender o que está acontecendo. Tem um baralho normal na mesa, dois jogadores formando combinações de cartas e, ao lado, um tabuleiro estreito e cheio de furinhos onde pequenas peças avançam aos poucos.

E é justamente esse tabuleiro que entrega uma das características mais legais do jogo.

No Cribbage, ganhar uma mão não significa simplesmente anotar alguns pontos e começar outra. Cada ponto conquistado faz o jogador literalmente avançar pelo tabuleiro, criando uma espécie de corrida até a linha de chegada. Cartas e tabuleiro funcionam juntos durante toda a partida.

O jogo tem séculos de história e continua especialmente popular no Reino Unido e em países de tradição anglófona, como Estados Unidos e Canadá. Suas regras podem causar um pouco de estranhamento no início, mas, depois que a lógica da pontuação entra na cabeça, dá para entender por que ele conseguiu sobreviver por tanto tempo.


O que é Cribbage?

Cribbage é um jogo de cartas tradicionalmente disputado por duas pessoas, embora existam versões para três ou quatro participantes. Seu objetivo é simples: ser o primeiro a alcançar 121 pontos.

A parte menos simples é descobrir como chegar até eles.

Os pontos aparecem de diferentes maneiras ao longo da partida. Algumas combinações formadas pelas cartas da mão valem pontos, assim como determinadas jogadas realizadas enquanto os participantes colocam suas cartas na mesa. Pares, sequências e combinações que somam 15 estão entre as formas mais importantes de pontuar.

Isso significa que o jogador precisa prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, em como utilizar bem suas cartas durante a rodada. Depois, em quais combinações conseguirá formar quando chegar o momento de contar a mão.

E ainda existe o crib, uma mão extra que dá nome ao jogo e adiciona outra decisão importante à partida.


Como funciona uma rodada de Cribbage?

Em uma partida tradicional para dois jogadores, cada pessoa recebe seis cartas. Depois de analisá-las, escolhe duas para colocar separadamente no crib. Essas quatro cartas formarão uma mão adicional que pertence ao dealer daquela rodada.

Em seguida, uma carta do baralho é revelada. Ela será usada junto com as cartas das mãos para formar combinações na etapa de contagem.

Antes disso, porém, os jogadores passam pelo chamado pegging, colocando uma carta por vez na mesa e anunciando a soma acumulada dos valores. Essa contagem não pode ultrapassar 31, e determinadas combinações realizadas durante essa sequência já rendem pontos.

De maneira bem resumida, uma rodada passa por estas etapas:

  1. Cada jogador recebe seis cartas.
  2. Dois descartes de cada jogador vão para o crib.
  3. Uma carta adicional é revelada.
  4. Os jogadores alternam cartas na etapa de pegging, sem ultrapassar 31.
  5. As mãos são contadas e pontuadas.
  6. O dealer também conta o crib.

Depois, o papel de dealer passa para o outro participante e tudo começa novamente.

Parece muita coisa quando colocado no papel, mas a estrutura rapidamente vira rotina depois de algumas rodadas.


E para que serve aquele tabuleiro cheio de furinhos?

O tabuleiro de Cribbage é provavelmente a imagem mais característica do jogo. E, curiosamente, ele não interfere nas cartas nem determina quais movimentos podem ser feitos.

Sua função é marcar a pontuação.

Imagem - Cribbage conheça o jogo de cartas com tabuleiro popular nos EUA e Reino Unido

O tabuleiro do Cribbage serve para marcar a pontuação dos jogadores.

Cada jogador possui pequenos pinos, conhecidos como pegs, que avançam pelos furos conforme os pontos são conquistados. Normalmente, dois pinos são usados para acompanhar a pontuação: um marca o resultado anterior e o outro avança para o novo total.

Imagine que você estava com 40 pontos e acabou de marcar seis. Um pino permanece indicando os 40 enquanto o outro avança para 46. Na pontuação seguinte, o pino que ficou atrás é movimentado para frente.

Pode parecer um jeito trabalhoso de fazer algo que hoje resolveríamos com uma calculadora ou aplicativo. Só que o tabuleiro transforma a pontuação em uma parte visual da partida. Basta olhar para ele para entender imediatamente quem está na frente e quanto falta para alguém chegar aos 121.

É quase como assistir a uma corrida acontecendo ao lado do jogo de cartas.


O número 15 aparece o tempo inteiro

Uma das primeiras coisas que um iniciante percebe no Cribbage é a importância do número 15.

Combinações de cartas que somam 15 valem dois pontos. Se uma mão permitir formar vários grupos diferentes que chegam a esse total, cada combinação válida é contabilizada.

É aí que contar uma mão de Cribbage começa a parecer um pequeno quebra-cabeça. Você olha para as mesmas cinco cartas tentando encontrar pares, sequências, combinações de 15 e outras possibilidades de pontuação escondidas ali.

Com experiência, essa leitura fica cada vez mais rápida. Jogadores habituados ao Cribbage conseguem olhar para uma mão e identificar suas combinações quase automaticamente.

Para quem está começando, é normal precisar conferir duas vezes para ter certeza de que nenhum ponto ficou para trás.


O crib deixa a escolha das cartas bem mais interessante

Se cada jogador simplesmente recebesse cartas e tentasse formar a melhor combinação possível, o Cribbage já teria alguma estratégia. Mas o crib complica as coisas de um jeito interessante.

Lembre que cada pessoa precisa entregar duas cartas para essa mão extra. O detalhe é que, em cada rodada, apenas o dealer fica com os pontos do crib.

Quando você é o dealer, portanto, pode descartar cartas que tenham boas chances de trabalhar juntas e gerar pontos extras mais tarde. Quando o crib pertence ao adversário, a lógica muda completamente: entregar uma dupla muito promissora pode acabar ajudando justamente quem você está tentando vencer.

A mesma carta pode ser ótima para sua mão, interessante para o crib ou perigosa demais para entregar ao rival.

Por isso, escolher os descartes é uma das decisões mais importantes do jogo.


Cribbage é sorte ou estratégia?

As cartas recebidas são aleatórias, então a sorte obviamente participa da partida. Às vezes, uma mão excelente praticamente se monta sozinha. Em outras, você olha para as seis cartas e parece que nenhuma quer conversar com a outra.

Só que existe bastante espaço para decisão.

Quais cartas mandar para o crib? Quais combinações vale preservar? Em que ordem jogar durante o pegging? Vale colocar uma carta que leva a soma para 15 sabendo que o adversário pode responder formando um par ou uma sequência?

Jogadores experientes também aprendem a avaliar quais cartas têm mais potencial juntas e quais descartes oferecem menos oportunidades ao oponente.

Você não escolhe a mão que recebe, mas escolhe o que fazer com ela. E, como acontece em vários bons jogos de cartas, é exatamente aí que a habilidade aparece.


Um jogo inglês que atravessou o Atlântico

O Cribbage surgiu na Inglaterra no século XVII e costuma ser associado ao poeta e jogador Sir John Suckling. Ele teria desenvolvido o jogo a partir de uma modalidade anterior chamada Noddy.

A popularidade cresceu e o Cribbage acabou criando raízes fortes na cultura britânica. Com o tempo, também atravessou o Atlântico e ganhou espaço na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá.

Uma curiosidade é sua ligação histórica com marinheiros. Por exigir basicamente um baralho e um pequeno tabuleiro de pontuação, o Cribbage tornou-se um passatempo bastante associado à vida naval e permanece ligado a tradições marítimas até hoje.

É um daqueles jogos que não tiveram um grande momento de explosão mundial recente, como aconteceu com Wordle ou alguns jogos modernos de tabuleiro. Sua força está justamente na continuidade. Há famílias e grupos que jogam Cribbage há gerações.


Por que ele ainda funciona tão bem?

Parte da graça está no fato de uma partida oferecer pequenos objetivos o tempo inteiro.

Você não precisa esperar até o final para sentir que fez uma boa jogada. Dois pontos aparecem aqui, quatro ali, uma sequência inesperada rende mais alguns e, quando você percebe, seu pino já abriu uma boa distância no tabuleiro.

Ao mesmo tempo, o jogo é rápido o bastante para não ficar cansativo e estratégico o suficiente para não parecer automático. Existe sorte, mas há decisões frequentes. Existe matemática, mas nada que exija cálculos absurdos. E existe competição, só que dentro de uma estrutura relativamente fácil de aprender.

Talvez o mais estranho para quem vê de fora seja justamente o tabuleiro. Depois de jogar, porém, ele começa a parecer indispensável.


Cartas na mão e uma corrida acontecendo ao lado

O Cribbage tem uma combinação bastante particular. Ele é jogo de cartas, jogo de combinação, jogo de contagem e, graças ao seu famoso tabuleiro, quase uma pequena corrida entre dois jogadores.

No começo, lembrar que 15 vale ponto, entender o pegging e descobrir o que mandar para o crib pode exigir um pouco de paciência. Depois que essas regras começam a fazer sentido, a partida flui de um jeito surpreendentemente natural.

E talvez seja esse o segredo de um jogo criado há séculos continuar encontrando espaço nas mesas britânicas e norte-americanas. O Cribbage tem regras suficientes para você querer melhorar, mas não tantas a ponto de transformar cada partida em um estudo.

No fim, a satisfação está em olhar para aquelas cartas, encontrar uma combinação que quase passou despercebida e avançar mais alguns furinhos no tabuleiro. Pouco a pouco, ponto a ponto, até alguém chegar aos 121.


Escrito Por: Beatriz Bandiera
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